Asma na infância – Causas e sintomas do bebê chiador

A Asma na infância  é um a das doenças pulmonares cronicas  mais comuns em todo o mundo.

No Brasil, 1 em cada 20 crianças é portadora de asma.

Saiba:

  • O que é a asma;

  • Quais os sintomas da asma;

  • Quais as causas;

  • Quais os fatores de risco para a criança desenvolver asma;

  • Se há cura para a asma;

  • Qual o tratamento para a asma.

Asma na infância - Sintomas

A Asma típica é caracterizada por crises recorrentes (isto é: períodos com sintomas e períodos assintomáticos) e que se revertem por tratamento ou espontaneamente .

Os sintomas são: tosse, chiado no peito, falta de ar, aperto no peito,obstrução do fluxo de ar que podem variar em relação a frequência, e  intensidade, podendo se apresentar em formas, leve, moderada e grave.

O chiado  indica  obstrução ao fluxo de ar, mas pode não ocorrer em todos os pacientes.

Os sintomas são piores a noite e pela manhã ao despertar.

É desencadeada por determinados estímulos: infecciosos, ambientais, climáticos e mais raramente alimentares.

As crises tem duração de mais ou menos 3 a 7 dias.

Entre as crises geralmente a criança passa bem sem sintomas, e quando persistem sintomas fora da crise é sinal de gravidade.

Asma na infância – Causas

A asma é uma doença genética, hereditária.

A causa  é uma inflamação  crônica das vias aéreas e uma hipereatividade das vias aéreas, a alguns fatores que são chamados de gatilhos.

Os gatilhos variam de pessoa para pessoa, e podem ser de várias origens:

  • Infecções virais- frequentes na infância, principalmente em crianças que frequentam creches ou escolas;

  • Exposição a substâncias chamadas alérgenos inalatórios, como ácaros, fungos, polén , odores, fumaça, gases dos escapamentos de veículos;

  • Fumaça de cigarro;

  • mudanças climáticas;

  • Exercícios físicos;

  • Stress;

  • Alérgenos alimentares, como leite de vaca, ovo ,soja, amendoim, castanhas etc.

Asma  na infância – Como ocorre

A criança geneticamente predisposta , ao ter contacto com os gatilhos, apresenta uma hipereatividade dos brônquios que  leva a

  • Estreitamento das vias aéreas (broncoconstrição)

  • Espessamento das paredes das vias aéreas e

  • Aumento na  produção de muco.

Asma na infância- Fatores de risco

Nos primeiros anos de vida, 50% das crianças apresentam pelo menos 1 episódio de chiado e a maioria não desenvolverá asma – são chamados de sibilantes transitórios.

Nessa idade as infecções virais são frequentes e podem produzir chiado devido ao pequeno calibre das vias aéreas.

Crianças que apresentam chiado antes dos 3 anos e que persistem após os 6 anos, provavelmente desenvolverão  crises de asma.

Crianças que desenvolvem chiado tardiamente também  tem chance de desenvolver asma.

Existe uma relação entre os fatores de risco e a forma como a asma vai evoluir assim como a severidade  dos sintomas.

São fatores de risco para a criança desenvolver asma:

  • História de alergia na família:pai ou mãe apresentam ou tiveram asma;

  • Presença na criança de rinite ou dermatite atópica nos 3 primeiros anos de vida;

  • Tabagismo ou  tabagismo passivo, ou tabagismo na gravidez;

  • Criança exposta a alérgenos ambientais, sendo a poeira doméstica o mais importante;

  • Exame de sangue com eosinófilos acima de 3%;

  • Dosagem de Imunoglobulina E elevada;

  • Criança que apresenta chiado sem resfriado;

  • Mais de 3 a 4 episódios de chiado;

  • Obesidade;

  • Ansiedade.

Asma  na infância -Tosse variante de asma

A asma  típica apresenta como citamos acima sintomas bem característicos como chiado, tosse, falta de ar, opressão no peito.

Algumas vezes na criança o diagnóstico pode tornar-se difícil  quando a criança apresenta apenas tosse.

Características que levam a suspeitar que a tosse seja asma:

  • Tosse seca persistente, ou recorrente( isto é que vai e volta), que piora a noite ou cedo pela manhã ao despertar;

  • Tosse sem relação com virose respiratória;

  • Tosse que piora quando a criança ri, chora, corre ou faz esforço físico;

  • Tosse com duração de mais de 10 dias;

  • Criança com os fatores de risco citados acima;

  • Tosse que melhora com medicamentos para asma como broncodilatadores inalatórios, associados ou não a corticoides orais ou inalatórios.

Asma e Sinusite

Existe uma relação importante entre asma e sinusite.

A Rinosinusite está presente em quase todos os asmáticos, e pode  desencadear  ou exacerbar a asma  pois vias aéreas superiores e inferiores são unidas, e o tratamento de uma leva a melhora de outra e vice versa.

Asma e Refluxo gastro esofágico

Existe também associação entre asma e doença do refluxo gastro esofágico.

Mais de 50% das crianças com asma apresentam doença do refluxo gastro esofágico, que é um fator gatilho para crise de asma.

Pensa-se em Refluxo gastro esofágico em crianças asmáticas que apresentam sintomas digestivos ou que não respondem ao tratamento habitual da asma.

O tratamento do refluxo gastro esofágico frequentemente leva a diminuição das crises de asma.

Asma na Infância – Como diagnosticar

Confirmar o diagnóstico de asma é fundamental para evitar o tratamento insuficiente ou o tratamento excessivo ou desnecessário.

O diagnóstico é feito através da história dos sintomas sugestivos, inicio das manifestações, como elas se apresentam, o que desencadeia as crises,  os sintomas variáveis, história de alergia na família, a melhora espontânea ou com broncodilatador, a piora noturna, os despertares noturnos pela crise.

Espirometria- avalia a função pulmonar e confirma o diagnóstico de asma. Se a função for normal, provavelmente não é asma.

Demonstra a limitação do fluxo de ar e monitora se o tratamento está sendo efetivo.

Este exame necessita  de entendimento e colaboração por parte  do paciente, por isso só é indicado após 6 anos.

Testes para identificar alergia, realizados na pele ou no sangue, são importantes para orientar em relação aos alérgenos que devem ser evitados.

Asma na infância – Tratamento

  • Identificar as causas e afastá-las: importantíssimo.

  • Higiene ambiental para evitar proliferação dos ácaros.

  • Tratar as crises: Quanto maior o número de crises, maior a inflamação nos bronquios e assim, mesmo pequenos estímulos desencadearão novas crises, formando um circulo vicioso.

  • Tratamento de manutenção – trata a inflamação das vias aéreas, prevenindo o aparecimento dos sintomas.

O tratamento é baseado em Diretrizes que são atualizadas periodicamente e que tem como indicadores, a gravidade da asma a intensidade das crises, numero de exacerbações, quanto essas crises interferem na rotina da criança como falta a escola, quanto interferem no sono provocando os despertares noturnos.

O tratamento é prolongado,  sendo utilizado principalmente os corticóides inalatórios (as chamadas bombinhas).

São feitas avaliações periódicas a cada 3 meses com a finalidade de ajustar as doses do corticóide inalatório.

Esses medicamentos  não viciam. (preocupação dos pais)

Estudos demonstraram que os efeitos colaterais são poucos: principalmente monilíase oral ( sapinho) que se previne lavando a cavidade oral após o uso do medicamento.

Estudos também demonstraram que mesmo usando a longo prazo não interferem no crecimento. (altura final).

Este texto foi baseado nas Diretrizes  da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia para o controle da asma – 2012, e na Estratégia GINA – iniciativa Global contra a asma – 2014-2015

Para mais detalhes, assista ao vídeo abaixo: