A criança que não quer dormir – Insônia Infantil – O que fazer?

Causas:

A criança que não quer dormir não aprendeu a dormir e a despertar de forma independente, sem o auxílio dos pais ou cuidadores.

Adquiriu hábitos inadequados.

Dormir de forma independente é um hábito que se aprende.

Até os 3 meses, os bebês dormem de 16 a 20 horas por dia, acordando com intervalos de 3 a 4 horas.

A educação para o sono deve começar a partir de 4 meses, quando o bebê começa a fazer o ritmo dia e noite.

As crianças precisam aprender a dormir sozinhas, na própria cama ou berço, pois, assim, vão poder voltar a dormir quando despertarem no meio da noite.

Se a criança só adormecer na presença dos pais ou com estímulo: sendo embalada, tomando a mamadeira, vendo televisão etc, quando acordar não conseguirá retornar ao sono se não houver o mesmo estímulo. Significa que ela fez associações inadequadas.

Insônia infantil – Como se apresenta:

  • A criança tem dificuldade para iniciar o sono;

  • Vários despertares noturnos, com dificuldade para voltar a dormir. Pede a presença dos familiares;

  • A criança que não quer dormir, chora, faz birra, quer continuar brincando, lendo histórias, beijinhos, sai da cama…

1- Distúrbio do sono por associação inadequada no início do sono:

A criança aprende a dormir apenas de um jeito e quando acorda à noite, o que é normal acontecer, não consegue dormir se não repetir a mesma situação.

2- Distúrbio por falta de estabelecimento de limites:

A criança faz birra, chora, pede água, mais um beijo, etc.

Quando acorda no meio da noite, a criança não quer dormir mais.

Muitas vezes os próprios pais não têm uma rotina, dormem tarde, colocam o filho para dormir tarde também e deixam dormir até às 10 ou 11 horas da manhã.

Insônia na infância – Soluções:

Não existem soluções milagrosas, regras ou receitas mágicas .

Não é possível obrigar uma criança a dormir, e deixá-la chorando pode ser cruel.

Diretrizes

  • Conhecer as necessidades de sono por faixa de idade

Crianças de 12 a 36 meses: 12 a 14 horas de sono, sendo 10 a 12 horas no período da noite.

Crianças de 18 meses a 4 anos: 11 a 13 horas de sono, sendo 1 cochilo de 1 a 2 horas durante o dia.

  • Conversar com a criança

Explicar como será a rotina para o sono a partir daquele dia.

Aos 2 anos, a criança já compreende as regras e pode modificar seus hábitos.

  • Estabelecimento de rotinas positivas

O estabelecimento de rotinas  diurnas e noturnas é muito importante.

A criança precisa prever o que vai acontecer. Quando ela sabe o que esperar, o seu corpo reage inconscientemente.

Fazer sempre igual respeitando os hábitos da família e a individualidade da criança.

Crianças precisam de repetição.

Para ter uma boa noite de sono, a criança necessita praticar atividades físicas durante o dia: correr, jogar, etc.

Sonecas diurnas são essenciais, por 3 a 4 horas, de preferência por volta das 15 horas e não deverão ocorrer após as 16 horas.

Se a criança não faz soneca na escola, tente segurar o sono no carro até o jantar.

Atividades mais agitadas até no máximo 18 horas.

É muito importante a rotina noturna, curta e repetida. Sempre igual.

  • Ritual para dormir

O ritual para dormir  sinaliza para o cérebro que está na hora de dormir por meio de associações positivas.

Estabelece uma cadeia de comportamentos até o início do sono.

Promove uma associação positiva para iniciar o sono.

É um momento de intercâmbio afetivo. Fortalece os vínculos.

Faz a transição da fase de atividade para a calma que antecede o adormecer, relaxa e ajusta o relógio biológico.

O horário ideal para o recolhimento é entre 19 às 21 horas. Essa é a janela do sono. Se perder, a próxima será quase de madrugada.

Existe um hormônio que estimula o sono que se chama melatonina e indica ao cérebro que é noite e é produzido entre 20 e 21h30 horas.

Cada família deve organizar o ritual de acordo com suas características. Algumas sugestões:

  • Banho noturno;

  • Jantar com alimentos leves;

  • Não oferecer café, chocolate, chá ou coca cola, pois a cafeína é excitante e permanece no corpo por 3 a 5 horas.

  • Atividades calmas na sala, sem TV e eletrônicos- 10 minutos;

  • Escovar os dentes;

  • Vestir o pijama;

  • Ir para o quarto;

  • Fazer atividades calmas:

  1. Ler um livro. Permitir que a criança escolha entre 2 estórias.

  2. Conversar sobre o dia;

  3. Contar histórias reais ou  inventadas;

  4. Colocar músicas calmas;

  5. Cantar canções de ninar;

  6. Fazer massagem suave.

  7. Fazer oração para o anjinho da guarda;

  8. Beijinho.

  • A criança deverá ir para a cama acordada e dormir sozinha com o “amiguinho de dormir’;

  • Apagar as luzes. Não usar luz branca no quarto. Poderá manter  abajur com luz azul (relaxante);

  • Não deixar a TV ligada, não usar tablet, celular ou computador, pois emitem uma luz que inibe a melatonina (o hormônio do sono);

  • Não assistir à TV, nem usar computador 3 horas antes de dormir, pois estimula a criança e impede o sono.

  • Não incentivar mamadas noturnas. Se a criança acordar e pedir, diminua a quantidade, faça a mamadeira bem diluída, ofereça água.

Para mudar hábitos de sono de uma criança é importante mudar os hábitos da família, pois a criança não vai aceitar dormir cedo, com a casa agitada e a TV ligada. A casa deve silenciar. Diminua as luzes.

Pela manhã, mantenha a mesma hora de acordar.No fim de semana não ultrapasse 1 hora a mais que o habitual.

A criança que não quer dormir – Descubra os motivos:

O sono é um reflexo das situações que a criança vive.

Converse com seu filho antes de intervir. Fale sobre os fatos.

Explique que vocês precisam dormir, que você está cansada(o), e  que você quer entender o que acontece, para que juntos possam encontrar uma solução.

Entre 1 ano e meio a 2 anos, algumas crianças resistem a ir dormir, gritam, fazem birra. É a fase do negativismo própria dessa idade.

Seu filho pode estar sem sono, em virtude  de sestas muito longas, cerca de 3 a 4 horas. Acorde carinhosamente 15 minutos antes que o habitual e vá acertando aos poucos.

Se seu filho está acostumado a dormir muito tarde, e não consegue dormir no horário estabelecido, vá atrasando em 15 minutos a hora de iniciar o Ritual do Sono.

Se seu filho não quer deixar vocês e seus brinquedos, avise com antecedência que a hora de dormir está próxima para que ele possa terminar a brincadeira.

Pode ser que ele tenha medos: ficar só, escuro, fantasmas, fantasias,  devido a histórias amedrontadoras, perigos que se escondem no armário ou embaixo da cama.

Esclareça seus temores, reze junto, “passe spray anti-fantasma”. Avise que vai deixar a porta aberta, luz acesa, que vocês vão estar perto.

Talvez você precise ficar com seu filho até ele dormir. Pode ser que ele esteja precisando de mais apoio, mais carinho, mais atenção para sentir-se seguro.

Entre 2 a 3 anos, a ansiedade de separação se intensifica e fechar os olhos e dormir é perder a mãe.

Nesses casos, fique no quarto por algum tempo, dedicando-se à leitura ou a outra atividade não diretamente.

Se a criança acorda no meio da noite, e não volta a dormir sozinha,  pegue no colo e leve de volta para a caminha. Converse baixinho: “Mamãe está aqui. Não se preocupe. Vou esperar você dormir”.

Nessa situação, evite ficar de mãos dadas ou que a criança fique encostada em você.

Tente não tirá-la da cama, mas, se ela só se acalmar no colo, pegue e quando acalmar, coloque-a de volta na cama.

Só saia do quarto quando a criança estiver em sono profundo, caso contrário, poderá acordar e você terá que repetir o processo várias vezes.

Se pedir mamadeira, diminua a quantidade, faça mais diluída, ou ofereça água.

Essas condutas de uma forma geral produzem bons resultados, e estão baseadas  na Disciplina positiva e Criação com Apego.

Quando nada dá certo…

Algumas vezes pode ser bem difícil, cansativo e apesar de você fazer tudo correto, nada acontece.

Pode ser conveniente pedir auxílio a uma consultora de sono, que vai fazer uma avaliação individualizada e sugerir a técnica comportamental mais adequada ao seu caso em particular.

Técnicas  comportamentais – Tratamento da criança que não quer dormir:

São baseadas na teoria que os comportamentos são mantidos por suas consequências.

As consequências reforçam os comportamentos e, se não houver consequência reforçadora, o comportamento diminui em frequência e acaba extinguindo-se.

O comportamento dos pais mantêm o quadro.

O reforço acontece quando a criança recebe atenção pelo choro ou grito.

Existem 3 técnicas para a criança que não quer dormir:

1- Extinção sistemática;

2- Choro controlado;

3- Extinção na presença dos pais.

Para todas essas técnicas, iniciar com a Rotina para o sono, Ritual de dormir e colocar a criança na cama no horário pré-estabelecido.

1-Extinção sistemática:

Colocar a criança na cama, despedir-se, sair do quarto e ignorar seus protestos (choros, solicitações e birras) até o horário estipulado para a criança acordar.

Exceção: criança doente ou com perigo de se machucar.

É uma técnica muito difícil de ser implantada.

2- Choro controlado:

O pai ou a mãe sai do quarto e assegura que estará perto.

Se a criança voltar a chorar, o pai ou a mãe retorna ao quarto. Toca a criança, conversa, mas não coloca no colo. Diz palavras de carinho. Sai depois de 15 minutos.

Se a criança chora de novo, retorna após 5 minutos e fica mais 15.

Nas noites seguintes, diminui progressivamente o tempo que fica no quarto e aumenta o que fica fora.

Para crianças que saem da cama à noite e vão para a cama dos pais, a conduta é a mesma: levar de volta para a cama, sem discutir, nem conversar e sair do quarto.

Se a criança chorar, o pai ou a mãe volta e recomeça o ciclo.

3- Extinção na presença dos pais:

Os pais permanecem no quarto ou próximo à criança. Sentam ao lado do berço e acalmam a criança até que ela durma profundamente .

No dia seguinte, os pais afastam-se do berço ou da  cama e sentam-se em uma cadeira a 1 metro, e vão afastando a cadeira progressivamente para longe até conseguir acalmar a criança de fora do quarto.

Observação importante – A resistência comportamental

Após os pais ignorarem os choros e protestos da criança que não quer dormir, é provável que o comportamento inadequado se intensifique, isto é, ocorre uma piora antes de melhorar.

Como os pais se preocupam, eles dão atenção, o que torna o processo mais lento.

Tratamento homeopático individualizado

A criança que não quer dormir beneficia-se com o tratamento homeopático.

Como a abordagem homeopática avalia a criança como um todo, entendendo sua constituição, temperamento e o contexto familiar, oferece bons resultados, juntamente com as Rotinas diurnas e noturnas e o Ritual do Sono.

Assista ao vídeo abaixo: