Birras – Como lidar com esta fase das crianças

Birras-como lidar

As birras ocorrem no processo normal do desenvolvimento da criança, em que ocorre uma mudança brusca no comportamento, que era, até então, meigo e dócil.

Não devemos moldar os filhos de acordo com os nossos sentimentos;

devemos tê-los e amá-los do modo como nos foram dados por Deus.

Johann Goethe

Qual é a idade das birras?

A fase de birras é chamada crise dos dois anos ou adolescência do bebê.

Os ataques de birra começam a ocorrer entre 18 meses a 3 anos.

Nessa idade, o bebê já tem controle da marcha. Corre, pula, sobe e desce escadas. A linguagem está mais desenvolvida, e já se acha capaz de tomar decisões e fazer tudo sozinho.

Seu filho começa a se perceber separado de você e do pai. Está se descobrindo como pessoa e luta para conquistar o próprio espaço. Busca autonomia, mas vive um conflito entre o desejo de independência e os limites que encontra.

Quase todas as crianças passam por essa fase de birra e a compreensão a respeito da normalidade dos comportamentos que seu filho está apresentando tornará esse período muito rico em aprendizado e no fortalecimento dos vínculos afetivos entre vocês.

Principais comportamentos da fase de birras:

Para ajudá-los nessa tarefa, vou listar os principais comportamentos dessa fase e como proceder diante deles, lembrando que é apenas uma diretriz, que poderá ser adaptada de acordo com a sua intuição e o temperamento do seu bebê.

Negativismo

  • A palavra preferida é “não”. Um “não” automático. Parece opor-se a tudo. É a forma que ele tem de dizer: eu existo, eu estou aqui, eu determino. Quer testar até onde você é capaz de chegar e até onde você o deixa ir. Testa a própria força e sua autoridade. Quer ver quem é o forte e o fraco em uma verdadeira luta de poder.

  • Não entre no jogo do poder. Não dê a chance para o “não”. Use frases afirmativas. Exemplos: “É hora do banho. Você quer água quente ou fria?”; “Crianças viajam no banco de trás. Quem amarra o cinto de segurança: eu ou você?”

  • Escolha suas batalhas. Não entre em guerra que irá perder.

Desejo de autonomia

  • Quer decidir as coisas por si só. Realizar sozinho as coisas, fazer escolhas.

  • Facilite o desejo de autonomia, deixando a casa e os móveis organizados de forma a serem acessíveis ao seu filho. Coloque os alimentos que ele usa na parte baixa da geladeira. Deixe as prateleiras dos armários mais baixas com as roupas dele. Guarde os brinquedos em caixas fáceis de organizar.

  • Faça rodízio dos brinquedos. Diminui a hiperestimulação. Invista em brinquedos que desenvolvam a coordenação motora fina para que seu filho adquira mais independência.

  • Permita pequenas escolhas. Respeite as decisões da criança quando não a prejudicam.

Obstinação e teimosia

  • Testa se você é capaz de manter os limites.

Intensa energia

  • Pula, corre, grita, faz barulho. Necessita espaços abertos, praças, parquinhos.

Possessividade com os objetos

  • Quebra e destrói, para ver como o brinquedo é construído. Fantasia com os brinquedos quebrados.

  • Não jogue fora os brinquedos quebrados. Respeite seus pertences.

  • Nas brincadeiras com outras crianças, ensine seu filho a reconhecer o que lhe pertence e o que é do amiguinho. Ensine-o a respeitar os brinquedos do amigo.

Comportamentos agressivos

  • Morde, dá tapas, puxa os cabelos.

  • Como a linguagem não está bem estabelecida e ainda não controla os impulsos, é assim que comunica o desagrado.

  • Ensine que esse comportamento não é correto.

Exige atenção quando fala

  • Tem necessidade de ser ouvido, de ser levado em conta, quer sentir-se importante para os pais.

Ciúmes

  • Apresenta ciúmes dos pais ou do irmão.

Afeto

  • Apesar de começar a afastar-se da mãe, ainda se mantém muito ligado. Dá beijos, abraça, mas nega afeto a quem não é do seu agrado. Vira o rosto ou encara com receio pessoas que não lhe são simpáticas.

  • Não force seu filho a cumprimentar, abraçar ou beijar.

  • Começa a vergonha. Respeite-a.

Pouca necessidade de comida

  • Não force seu filho a comer. Não agrade, não insista. Estimule um ambiente agradável à mesa e procure fazer pelo menos uma refeição em família.

Ataques de birra

  • Quando contrariado ou frustrado, seu filho grita, esperneia, faz escândalo, apresenta comportamentos de autoagressão. Esses ataques de birra ocorrem, porque ainda não sabe se comunicar, não sabe identificar o que está sentindo e não sabe controlar seus impulsos.

  • Manter a calma é fundamental, porque você é exemplo para seu filho.

  • Não grite, não bata, não faça discursos, não prometa, não ceda.

  • Afaste-se do campo visual do seu filho até que ele se acalme.

  • Se a birra ocorrer em lugar público ou for muito intensa, leve seu filho para um lugar mais seguro e tranquilo. Diga que vai esperar até ele se acalmar.

  • Depois que a birra acabar e seu filho se acalmar, converse a respeito. Diga que entende que ele ficou com raiva por não ter conseguido o que queria, mas que gritar e espernear não resolve. Abrace-o e mude o assunto, mas não deixe uma birra sem conversa, e jamais ceda.

Birras – Dicas gerais durante esta fase:

  • Nessa fase, as crianças têm NECESSIDADE DE ROTINA SAUDÁVEL:

  • Movimento: praça, parquinho;

  • Horário de alimentação, da TV ou dos eletrônicos;

  • Ritmo do sono: leitura antes de dormir. Exemplos de livros infantis para leitura antes de dormir: “João e Maria” (Ensina cooperação), “A galinha ruiva” (Ensina cooperação e bondade), “O lobo e os sete cabritinhos” (Ensina obediência).

  • NECESSIDADE DE LIMITES CLAROS:

  • As regras devem ser poucas e apenas para coisas importantes;

  • Especificar o que deve ser feito;

  • Garantir que a criança esteja ouvindo;

  • Regras estabelecidas devem ser cumpridas;

  • Evite guerras desnecessárias.

CRIANÇAS APRENDEM POR IMITAÇÃO. SEJA UM BOM EXEMPLO.

Nesse vídeo, explico melhor como lidar com ataques de birras em público: